A Comunicação que Transforma: Conexões que Moldam Quem Somos - Por Betina Viana

Publicada em: 14/11/2025 13:29 -

Desde o momento em que chegamos ao mundo ‒ antes mesmo de darmos nosso primeiro choro ‒ já estamos nos comunicando. No ventre materno, somos constantemente impactados por estímulos que vão muito além do fisiológico; eles nos moldam profundamente, construindo a base de quem somos e influenciando, mais do que imaginamos, a forma como nos relacionamos hoje.

Ali, ainda sem palavras, sentimos praticamente tudo o que nossa mãe sente. Medo, alegria, raiva, angústia... Cada emoção vivida por ela ecoa em nós. Incrível, não é? Pode até soar como algo exagerado ou difícil de acreditar, mas essa bagagem emocional começa a formar muito do que será o nosso “agir” ao longo da vida adulta. E sabe o que é mais transformador nessa reflexão? Isso também molda a maneira como nos comunicamos.

Talvez você esteja se perguntando: “O que isso tem a ver com a comunicação no meu dia a dia?”. E a resposta é simples: tudo. A forma como você hoje expressa suas emoções, se conecta com as pessoas e enfrenta os desafios da vida é diretamente impactada por experiências que começaram ainda lá atrás, no início da sua jornada de vida. 

Desde o ambiente intrauterino, passando pela infância, adolescência, até atingir a fase adulta, nossa comunicação é moldada não apenas pelas convivências, mas também por aprendizados emocionais ‒ conscientes ou não. O ambiente onde fomos criados, por exemplo, faz toda a diferença no nosso desenvolvimento. Somos espelhos das vivências que absorvemos durante essa caminhada.

Se pararmos para pensar, conhecer nossos gatilhos emocionais é o primeiro passo para uma comunicação mais clara, empática e assertiva. Afinal, é impossível se conectar verdadeiramente com as pessoas se não nos entendemos primeiro.

Um ambiente acolhedor, onde somos vistos, ouvidos e respeitados, inspira uma comunicação fluida, afetiva e humana. Imagine, por exemplo, uma infância em que fomos encorajados a expressar sentimentos e opiniões. Pessoas que crescem com esse tipo de espaço tendem a desenvolver maior facilidade para se comunicar, construir confiança e estabelecer conexões duradouras. 

Por outro lado, crescer em um ambiente mais hostil, onde falta afeto e sobram cobranças, pode gerar impactos diretamente no modo como nos relacionamos. Sem essa base de apoio emocional, a tendência é que, na fase adulta, surjam dificuldades como a insegurança, o medo, a dificuldade de se expor ou mesmo de confiar plenamente nos outros. Traumas dessa natureza refletem em todos os níveis: dos relacionamentos afetivos ao ambiente profissional.

Transformar essa realidade, no entanto, é possível. Uma comunicação bem trabalhada, quando sustentada pelo autoconhecimento, é a chave tanto para reescrever padrões emocionais quanto para criar conexões mais saudáveis e genuínas.

A boa notícia é que, ao olhar para nossas vivências e entender a influência que elas tiveram na construção do nosso “eu”, podemos dar um salto em direção a uma nova forma de nos comunicar. 

É libertador perceber que, ao reconhecer e abraçar os nossos gatilhos – mesmo os mais dolorosos – conseguimos ressignificar nossas relações. Afinal, tudo na vida gira em torno de relacionamento, seja com os outros ou com nós mesmos. E como aprendemos a nos relacionar? Comunicando-nos.

Por isso, desenvolver uma comunicação mais consciente não é apenas útil, é transformador. Ela abre portas para que possamos viver com mais clareza, discernimento e, principalmente, com mais empatia. A comunicação que transforma é aquela que passa pela escuta atenta, pelo desejo sincero de conexão e pela habilidade de sermos fiéis às nossas emoções.

Se você parar para refletir, verá que o jeito como se comunica molda não só quem você é, mas também como você impacta o mundo ao seu redor. Antes de tudo, comunicar-se bem é um ato de autoconhecimento. É enxergar suas vivências com novos olhos, compreender as raízes das suas emoções e usar isso para criar pontes – e não barreiras – com as pessoas ao seu redor. 

Afinal, comunicar-se verdadeiramente é mais do que falar; é transmitir aquilo que você sente e quem você é. E quando nos expressamos de forma genuína e conectada, permitimos que o outro também faça o mesmo. 

 

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