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Infância conectada pede cuidado: pais precisam dar o exemplo no uso das telas

Publicada em: 31/01/2026 09:36 -

Pesquisas mostram que crianças brasileiras passam mais de três horas por dia em frente às telas. Especialistas alertam: impor limites sem que os pais revejam seus próprios hábitos digitais é receita para conflito e contradição dentro de casa.

 

O desafio da infância hiperconectada

O uso de celulares, tablets e computadores já faz parte da rotina das crianças brasileiras. Segundo o guia Crianças, Adolescentes e Telas, lançado pelo Governo Federal em 2025, menores de 12 anos passam em média de 3 a 4 horas por dia diante das telas. O excesso está associado a problemas de sono, irritabilidade e queda no rendimento escolar.

Uma pesquisa Datafolha realizada para a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal revelou que 94% das crianças de 4 a 6 anos usam telas diariamente, e até mesmo entre os menores de 3 anos, 78% já têm contato cotidiano com celulares ou tablets. Esse tempo de exposição chega a ser o dobro do recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, que sugere no máximo 1 hora por dia para maiores de 2 anos.

No mundo, as diretrizes da Organização Mundial da Saúde reforçam a mesma preocupação: nenhum tempo de tela recreativa para menores de 2 anos, até 1 hora por dia entre 2 e 5 anos, e no máximo 2 horas diárias para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos.

 

O exemplo que vale mais que a regra

Se os números já preocupam em relação às crianças, a situação entre os adultos não é muito diferente. Estimativas apontam que brasileiros passam mais de 5 horas por dia em smartphones, muitas vezes em momentos de convivência familiar. O país tem hoje 183 milhões de usuários regulares de internet e 144 milhões de perfis ativos em redes sociais, o que equivale a quase 68% da população.

Para especialistas, esse cenário torna incoerente a tentativa de impor limites apenas às crianças. A especialista em segurança digital Alessandra Borelli explica:

“Se seu filho usasse o celular do jeito que você usa, estaria tudo bem? Essa é a reflexão que precisa ser feita.”

O pediatra e psicólogo infantil Daniel Becker reforça que o exemplo é a principal ferramenta de educação digital: “Não adianta dizer ‘desligue o celular’ enquanto você mesmo está rolando a tela durante o jantar. A criança aprende pelo modelo, não pelo discurso.”

 

Caminhos para limites saudáveis sem guerra em casa

Especialistas recomendam que os pais adotem estratégias simples e consistentes:

- Estabelecer regras coletivas, como refeições sem celular.

- Criar momentos offline em família, com leitura, brincadeiras ou passeios.

- Mostrar que a tecnologia pode ser usada de forma consciente e produtiva, não apenas para entretenimento.

- Manter um diálogo transparente, explicando às crianças os motivos dos limites, em vez de impor regras autoritárias.

 

A infância conectada pede cuidado, mas o equilíbrio só acontece quando os pais também se comprometem. O exemplo é mais poderoso que qualquer regra: adultos que demonstram autocontrole digital ensinam, sem guerra, que tecnologia pode ser usada de forma saudável e consciente.

 

 

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