Há pessoas que falam bonito.
E há pessoas que, quando falam, o ambiente muda.
A diferença não está no vocabulário, nem na técnica.
Está no estado interno de quem sustenta aquela palavra.
Presença não é atenção plena no sentido popular.
Presença é estar inteiro no que se vive, sem fugir de si, sem se esconder atrás do discurso.
É quando não existe distância entre o que se pensa, o que se sente e o que se diz.
Sustentação é isso: não dizer algo que você não teria coragem de viver depois.
Quando alguém escreve a partir da presença, a palavra não pede concordância.
Ela se coloca.
Ela fica em pé sozinha.
Já quando a fala nasce de carência, medo ou necessidade de validação, ela pode até soar correta, mas não se sustenta. Ela pesa. Ela cansa. Ela cobra algo de quem lê.
Comunicar com responsabilidade é perceber isso antes de abrir a boca ou o teclado.
É reconhecer: isso que estou dizendo eu consigo bancar na minha própria vida?
Presença é não usar a palavra para escapar.
É não usar o discurso para compensar o que ainda não está resolvido por dentro.
Por isso, comunicar para o bem não é ser positivo.
É ser verdadeiro sem ser agressivo.
É ser honesto sem despejar confusão no outro.
Quando a presença está ali, a comunicação desacelera, não invade e não tenta convencer.
Ela cria espaço.
E talvez seja disso que mais precisamos hoje: menos vozes tentando ensinar, e mais pessoas dispostas a sustentar, com simplicidade, aquilo que dizem.

Rose Martins
Rose Martins é pesquisadora e formadora, atuando no desenvolvimento de métodos voltados à organização do campo humano, presença consciente e responsabilidade pessoal. Trabalha com educação, comunicação e consciência aplicada à vida prática.
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