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O mecânico do mundo: quando consertar o outro nos afasta de nós

Publicada em: 03/02/2026 17:11 -

Existe algo profundamente humano na tentativa de ajustar o mundo.

De apontar o que está fora do lugar, de definir o que é certo, errado ou aceitável.

Princípios importam — o ilícito não deve ser tolerado —, mas talvez o maior equívoco esteja em acreditar que somos mecânicos da vida alheia.

Hoje, o convite não é para confrontar ninguém.

É para olhar para dentro.

O alcance da crítica

Antes de qualquer julgamento, vale a pergunta: até onde vai o nosso comportamento crítico?

Quantas palavras são lançadas aos outros sem que se pese o impacto, o tom ou a intenção?

Criticar resolve?

Dissolve conflitos?

Ou apenas deprime, silencia e afasta?

Na prática, a crítica raramente constrói.

O que pode ser construtivo é o alerta — quando nasce do cuidado, não do controle.

Quando acolhe em vez de humilhar.

Órbitas diferentes, sonhos legítimos

Nem todo mundo caminha na mesma órbita emocional, mental ou espiritual.

Aquilo que chamamos de “fora do eixo” pode ser apenas um eixo diferente do nosso.

Já nos perguntamos como está a mente e o coração de quem julgamos instável?

Que alegria essa pessoa encontra em escolhas que não compreenderíamos?

Há sonhos que se sonham sozinhos — e isso não os torna menores.

A vida já é, por si só, um presente gratuito.

Por que insistimos em agir como cobradores dela?

O papel que escolhemos ocupar

Em um mundo cansado de cobranças, talvez o gesto mais revolucionário seja escolher outro lugar:

ser resgate,

ser incentivo,

ser ombro,

ser semeador.

O amor tem esfriado na rotina das 24 horas tomadas pelo “só eu”.

O excesso de razão tem nos afastado da empatia.

O mundo não é seu problema.

Mas, se você enxerga sofrimento em alguém próximo, não se apresse em consertar.

Flutue.

Relaxe.

E permita.

Permita que o sofrimento tenha pausa.

Que a alegria exagerada também ensine.

Que cada um viva suas escolhas.

Acolher não é concordar

Quando o plano não dá certo, o que mais falta não é opinião — é presença.

Ouvir não é validar erros.

Alertar não é controlar.

E criticar nunca é amar.

Cair no poço pode parecer o fim.

Sair dele quebrado é outra história.

Uma história que pede respeito, silêncio e humanidade.

 

 

Vilma Nascimento

Vilma. Escolhi ser podóloga e fisioterapeuta.

Cuidar não é função é essência.

 

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