Você acorda todos os dias e faz o que precisa ser feito. Nem sempre porque quer, mas porque alguém precisa. Você segura a casa, o trabalho, a rotina, os afetos… E, quando sobra silêncio, sente um cansaço que não passa dormindo.
Talvez ninguém veja. Talvez até você mesma tenha parado de ver. Você aprendeu cedo a ser forte. Aprendeu a não dar trabalho. A se adaptar. A engolir o choro. A continuar mesmo quando algo em você já tinha pedido pausa.
Você não é fraca. Você só está exausta. Em algum momento, você acreditou que amar era se anular. Que cuidar era se esquecer. Que permanecer era mais importante do que sentir. E, sem perceber, foi construindo a vida como deu — com as ferramentas que tinha, com as verdades que ouviu, com as feridas que não puderam ser cuidadas.
Se hoje sua casa interior parece bagunçada, se suas forças estão curtas, se o coração anda pesado… isso não diz quem você é. Diz apenas o quanto você tentou sobreviver e como ainda está.
Existe uma mulher inteira em você. Ela não se perdeu. Ela apenas ficou escondida, esperando segurança para aparecer.
Você não precisa derrubar tudo. Não precisa saber por onde começar. Não precisa ter respostas agora. Talvez o primeiro passo seja só esse: parar de se tratar com dureza.
Você não foi criada para viver cansada. Nem para carregar sozinha o que nunca foi só seu. Nem para acreditar que sua vida se resume a obrigação.
Há valor aí. Há um lugar dentro de você que ainda pulsa vida. Mesmo que hoje esteja em silêncio. Mesmo que você tenha esquecido como ouvir.
Quando você começar a se olhar com verdade, sem culpa, sem pressa, sem comparação, algo vai se reorganizar por dentro. Você não precisa provar valor. Você já tem.
Você não precisa se refazer inteira de uma vez. Reconstruções verdadeiras acontecem aos poucos. E, quando você começar a voltar para si — para quem você é, para sua essência, para você de verdade — o que hoje pesa começa a descansar.
Você pode recomeçar. Você não está atrasada. Você está em processo. E isso… já é vida brotando de novo.
Um dia, você perceberá: a mochila não pesa mais. As pedras ficaram para trás quando você voltou para si. No lugar delas surgem flores para revelarem quem você é e perfumarem o lar que você habita, e o caminho por onde passar.
As flores sempre estiveram aí. Só estavam escondidas. Aqui fora, seu perfume pode ser apreciado. E, do lugar onde havia dor, curada, pode haver flor. Pode florescer, querida

Josineide Soares Gonçalves
Cristã | Escritora e terapeuta
Escrevo para mulheres que desejam encontrar o caminho de volta à essência.
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