Sempre fui uma pessoa entusiasmada com a vida e sempre fui movida pelo amor!
Certa vez, em meus processos de lapidação de mim mesma, através de longos e diferentes investimentos em autoconhecimento, tive vontade de mudar.
Quando eu achava que a vida seria para sempre uma tentativa em vão de ser feliz e florescer, percebi mais uma vez que romper laços, mudar a forma e o ambiente seriam fundamentais em minha libertação das amarras, movida por um ato de coragem e um profundo amor à vida, a mim mesma e a todas as pessoas envolvidas nela.
Quero aqui dizer o quanto foi importante, em meu percurso, investir em muitas terapias nesse processo longo de libertação das amarras e de encontrar leveza na vida.
Sim, é possível!
Na caminhada da vida, muitas são as fases que atravessamos e, em cada fase, um novo começo, um novo despertar, mais um capítulo em nossa história.
A cada dia que passa, percebo mais e mais que cada um faz o seu caminho, e ele é realmente feito de escolhas a partir dos encontros, da atenção ou da desatenção que temos de nós mesmos.
Quando atentos, temos a oportunidade de escolher estar perto do que realmente faz sentido para nós. No meu caso, o início de minha libertação, para além de terapias de comunicação não violenta, trabalhos de expressão, psicoterapia, apometria, constelação familiar, terapia alquímica, reiki, jin shin jyutsu, yoga, massagem tântrica, cuidados com a minha própria espiritualidade, conversas profundas com amigas, mãe, irmãos, astrologia, mapa kármico etc., foi o meu potente encontro com a dança!
Desde muito pequena sou dançante... Ao longo da minha vida fui chamada ao prazer de dançar, cantar, me expressar através do corpo. No entanto, a vida adulta foi se tornando muito trabalho e pouco lazer. Muito trabalho e pouco espaço na agenda e na vida para esse corpo dançante. O corpo foi se perdendo de mim, e eu de meu corpo. Mas nesse resgate da vida pulsante em mim, posso dizer que a conexão mais genuína e constante com a dança foi o meu renascimento! E iniciou-se nessa etapa de minha vida com a Dança Circular: Rodas de Todo Mundo, conduzida por minha amada mestra Marielza De Bona.
A força de uma mulher está na composição com outras mulheres!
Nunca estamos sós. Existe uma egrégora que nos acompanha. Mulheres são hermanas! Compartilham dores semelhantes, apoiam-se umas às outras. Fazer as pazes com toda a multiplicidade de mulheridades em nós enriquece a caminhada de todas.
Essa conexão com a dança em roda, de mãos dadas com outras mulheres, e a oportunidade de pertencer a um grupo que realmente conecta comigo foi um divisor de águas na minha vida.
Quantos infindáveis ganhos tive quando me abri verdadeiramente para me escutar, compreender de forma genuína meus valores e sustentá-los no corpo! Aprender a lidar com a minha energia e com a do outro, sustentar esse processo no corpo. Sou imensamente grata a esse momento divisor de águas em minha vida, onde pude iniciar o resgate com o meu feminino e com essa egrégora poderosa. Quando pude olhar para o meu útero, mexer o meu ventre, conectar-me a ele e buscar essa energia da terra, dos céus e das hermanas para seguir adiante.
E nesse caminho, pelas graças da vida, tive a oportunidade de me encontrar com a formação do grupo Forró na Estação de Botucatu-SP. Outro divisor de águas que veio somar, para além dessa conexão com a dança em roda, foi o meu encontro com o fato de ser conduzida. Aprender a ser conduzida, deixar o meu corpo à disposição, reconhecer meus limites e minhas limitações também, mas requerer de mim uma entrega genuína para avançar no processo.
Colocar-me à disposição na construção de um belo corpo dançante advém, para mim, de muito trabalho interno, de uma série de lapidações de diversas ordens que estão em processo. Encontrar o tônus, a postura, o ritmo, o eixo, a coordenação, a parceria que conduz para um lugar de fluidez, confiança, amor e entrega no processo; sair do controle, colocar o corpo a serviço, entregar-me — tem sido um lindo caminhar! Um passo de cada vez e, a cada dia, um novo aprendizado. Saber que sim, agora posso cuidar de mim; sim, estou ancorada em mim; sim, me entrego, mas tenho eixo; sim, me entrego quando confio na condução do condutor — não mais uma entrega ingênua, mas uma entrega com propósito.
E no forró, o fato de construir ricas e profundas amizades trouxe para mim um grande sentido de vida. Sou imensamente grata por tudo que venho recebendo, na certeza e na confiança de que, quando a gente decide mudar, a gente muda. Todos os choros, todas as lágrimas, toda a nossa entrega em nosso processo de sentir não são em vão. Cada palavra, cada trabalho de escuta de si com profissionais capacitados fazem toda a diferença no rumo de nossa história.
Nada é em vão! Tudo tem um propósito! O bordado visto de cima nos mostra que todos os caminhos pelos quais passamos foram necessários para que essa arte toda acontecesse. Ao aprender genuinamente a se entregar à vida, aprendemos a perder, mas também a ganhar; a cair, mas também a levantar; a desconfiar, mas também a confiar.
Confiemos! Viver vale a pena! E mais importante do que a reta final é o caminho percorrido. Todo o caminho percorrido é importante para se chegar onde chegamos. Observar a paisagem e usufruir da natureza. Sentir os cheiros, relacionar-se com o entorno. Sentir-se em si! Isso é luz!
Gratidão! Gratidão! Gratidão!

Deborah Mendes
Psicóloga clínica e social, esquizoanalista, trabalha como tecelã da existência com pessoas que tem o interesse em se escutar e se desenvolver enquanto ser humano e coordena um núcleo de mosaico e artes com usuários dos serviços de saúde mental de Botucatu. Dançarina em formação. Apaixonada pela vida. Mãe de Rafael e Miguel. Militante do Movimento Nacional de Luta Antimanicomial e atualmente coordena o Fórum Permanente Intersetorial de Saúde Mental de Botucatu. Viver é arte! Todos somos um!
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