Ao longo da vida, passamos por incontáveis experiências, e assim é desde o princípio. Lembro-me de uma infância tranquila e divertida, mas também de momentos nem tanto, com lembranças dolorosas e percepções distorcidas.
Hoje entendo que eram mais interpretações do que situações traumáticas de fato. Até alcançar esse entendimento, a vida me martirizou, gerando bloqueios, dificuldades e muitas dores.
Aos 36 anos, carrego marcas de como enxergava o mundo com lentes traumáticas. Há 23 anos convivo com o diabetes tipo I, que surgiu após o luto pela perda de um cavalo, o meu Negão. Meu coração de criança o via como uma companhia única, de espírito indomável — fosse cavalgando ou apenas ao avistá-lo no campo. Um amigo inestimável. A dor da despedida levou a doçura.
Compreendendo como o cérebro funciona, tive a oportunidade de trocar essas lentes. Hoje enxergo essa memória como a maior conexão de amor, a melhor história de aventura. Desde que a ressignifiquei, voltei a sentir o “doce da vida”.
Talvez você também tenha vivido algum luto, passado por perdas, separações ou ausências. Mas se está aqui hoje, saiba: você sobreviveu a tudo isso e está pronto para viver algo maior. Não precisa mais carregar o peso da dor.
Aprendi que, quanto mais mergulhamos dentro de nós e trazemos uma nova consciência sobre esses momentos, mais restauramos nossa visão inconsciente e ajustamos nossas “lentes”. Isso molda a forma como nosso cérebro interpreta o mundo.
Ele começa a entender que não precisa mais viver em alerta, nem à espera de algo que nunca chegou, mas que, dentro de nós, insistimos em buscar. Atualize o que for necessário em você. Não podemos apagar a história, mas ao ressignificá-la ganhamos uma nova versão, mais leve. Prosseguir com entendimento e gratidão pela nossa trajetória, exatamente como ela é, nos dá a rica possibilidade de enxergar o mundo com outras lentes — gerando uma compreensão que excede todo entendimento e tornando a vida mais leve.
Espero que você encontre hoje as lentes das infinitas possibilidades que a vida nos traz e que possa também voltar a sentir o “doce da vida”.

Carlla Costha
Sou Carlla Costha, mãe da Ana Clara, minha riqueza maior.
Uma hipoterapeuta apaixonada pela mente humana, levando ao mundo liberdade de dentro para fora com o entendimento de como o cérebro funciona.
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