O projeto de implantação da rede de gás natural na cidade foi tema de reunião realizada pelo Centro Empresarial de Chapecó (CEC) nesta terça-feira, 3 de março. Para tratar do assunto, estiveram no encontro dirigentes das empresas SCGÁS e Cetric. Eles detalharam aspectos referentes à produção e à possibilidade de disponibilização de gás natural e biometano para consumo no setor produtivo, comércio e residências no município.
Ao abrir o encontro, o presidente do CEC, Helon Antônio Rebelatto, enfatizou a importância de discutir o tema, em função da necessidade que Chapecó possui de nova alternativa energética, principalmente para o setor industrial. Também assinalou o compromisso da entidade em reforçar esse tipo de discussão para atender às demandas que se voltam para o desenvolvimento socioeconômico. Ao final da reunião, foi definido que o Centro Empresarial fará levantamento com as três entidades e os 14 sindicatos empresariais filiados, para que verifiquem com as empresas associadas o interesse na utilização do gás natural. De posse das indicações, o CEC as repassará à SCGás para verificação da viabilidade.
Em nome da concessionária SCGás se manifestaram na reunião o diretor-presidente, Otmar Müller, e o diretor técnico-comercial, Sílvio Del Boni. Inicialmente eles enfatizaram a importância da descarbonização e o compromisso da empresa de economia mista em difundir o gás natural no interior do Estado. Citaram a origem do combustível, principalmente da Bolívia e da área do Pré-Sal. Outro dado indicado foi de que em Santa Catarina o gás natural chega a 73 municípios, com 1.721 quilômetros de dutos e o consumo diário de 1 milhão e 700 mil metros cúbicos.
Quanto ao biometano – que é um biocombustível gasoso obtido a partir de resíduos essencialmente orgânicos –, o potencial de consumo no Estado é de 250 mil metros cúbicos, na indústria e no transporte, principalmente, além do comércio, hotelaria e residências. Estudo feito pela SCGás indica que em Chapecó o potencial total de consumo é de 118 mil metros cúbicos e atualmente chega a 35 mil metros cúbicos.
POSSIBILIDADE EM CHAPECÓ
Para viabilizar o fornecimento de gás natural ou biometano, o estudo da SCGás em Chapecó prevê a necessidade de investimento da ordem de R$ 35 milhões. Esse levantamento propõe, para a primeira etapa, a implantação de 24 quilômetros de dutos, para a segunda 24,5 e mais 10 quilômetros para a terceira etapa.
O diretor geral da Cetric, Gustavo Baldissera, afirmou que a empresa desenvolveu tecnologia e produz biometano suficiente para atender Chapecó, de forma a eliminar a preocupação com a falta do biocombustível. Informou que a empresa possui 46 caminhões rodando com esse combustível e especificou a possibilidade de atender ao fluxo de transporte de cargas que utiliza a BR-282, principalmente com destino aos portos catarinenses. Esclareceu, ainda, que se for instalada a rede e a SCGás assumir o processo de distribuição, há plenas condições da produção e fornecimento do próprio gás produzido em Chapecó.
Atualmente, a Cetric produz 500 metros cúbicos de biometano por hora, o que representa a média de 12 mil metros cúbicos por dia, volume suficiente para abastecer a frota própria e que reforça a estratégia de descarbonização das operações. Com a ampliação da planta, que está em andamento, a capacidade produtiva será expandida gradualmente. No objetivo de consolidar sua posição como referência em energia renovável e economia circular, isso permitirá que a Cetric alcance, em breve, a marca de 30 mil metros cúbicos de biometano por dia.
