" /> GenTV

Espelho, espelho meu: é permitido ser Eu?

Publicada em: 22/03/2026 11:54 -

Por muitas vezes, fui chamada de intensa demais, extremamente inteligente; em outras, de muito estranha, radical, questionadora, fora da curva!

Colecionei palavras ditas e expressões que, pelo olhar e campos de pensamentos, retratavam desaprovação e críticas.

Sim, eu sou alguém que nasceu sentindo muito ao meu redor. Desde tenra idade, percebia as desigualdades sociais, as expressões da opressão e as infindáveis formas de materialização da violência que estavam presentes na minha vida cotidiana e também na de todos ao meu redor.

Vivi, senti, sofri, silenciei e também muito cresci com as grandes pedras presentes em meu caminhar.

O que essa alta potência perceptiva me trouxe de ganhos, aprendizados e de prejuízos nas relações de convivência e adaptação social?

Eu, para poder caber nesse mundo, precisei ser duas. Sim! Pesei por duas pessoas. Construí uma “armadura” para me tornar “invisível”...

Ao longo da vida, tive problemas com autoimagem, transtornos alimentares, obesidade. Não sabia identificar que corpo era esse em que minha alma habitava.

O buraco existente era demasiado grande, o vazio a ser preenchido gritava dentro de mim. Enfim, não fazia mal aos outros, tampouco os feria, mas me anulava e me arrebentava por dentro.

O tempo passou e, com ele, a sabedoria da minha alma antiga me resgatou dos véus da alienação e da ilusão!

Pude me enxergar com olhos de amor e compaixão por tudo que sou verdadeiramente!

Sigo na gestação de mim mesma e vou me despedindo de tudo aquilo que não faz mais sentido...

Tempo de ressignificar as dores, cuidar das cicatrizes e replantar a esperança!

É tempo de olhar para o espelho com autorização para honrar minha história!

Deixei diversos quilos irem embora e me apresento, hoje, para o espelho, vestida de mim: carne, osso, sangue, gordura e, principalmente, com um puro sorriso, que somente aqueles que ousam ser em suas reais expressões da sua essência podem sentir.

Venço a mim mesma todos os dias quando respeito a minha diversidade e atipicidade neste mundo.

Eu venço os condicionamentos ideológicos, sociais e culturais quando resisto às normas que ditam padrões estéticos de beleza e criam pactos e pacotes de autoestima “fast-food”.

Eu venço a mim mesma quando as narrativas destrutivas chegam ecoando dentro da minha mente e não mais as alimento.

Eu venço a mim quando percebo que não preciso me destruir para comprovar que não sou deste mundo.

Eu venço as vozes que teimam em trazer afirmações mentais, ideológicas, condicionadoras, dizendo que a errada sou eu e, assim sendo, deveria me adaptar ao inaceitável e impossível para os cérebros neurodivergentes, como é o meu caso.

Eu venço a mim quando escolho a poesia que me aproxima da autenticidade da minha alma, ao invés de fingir socialmente que sou igual a todas as pessoas ao meu redor.

Esta é minha cura: me aceitar do jeito que sou, divina inspiração, humana e frágil em reconstrução. Me incentivo a escolher a vida, ao invés de me levar aos submundos de mortes homeopáticas.

Talvez seja esta a minha missão, meu propósito nesta existência: honrar minha história, meu código, minha identidade! Ao fazer este movimento de autorrespeito, posso incentivar você a fazer o mesmo!

Desenvolver virtudes, como: empatia, compaixão e generosidade com os demais pode ser uma saída para esta sociabilidade desumanizada.

Eu, uma simples alma faminta de um tempo que respeite os diferentes, venho convidar também você, para se unir a nós!

Sigo com esperança e, ao respeitar minha dualidade, forte, autêntica, ousada, criativa e, por outro lado, ingênua, simples, desadaptada, vulnerável, frágil, pequena, já posso pertencer a esse tempo-espaço-consciência!

Tudo isso faz parte do mosaico chamado “minha vida”.

Eu estou em busca de ser “Eu mesma” e, sendo assim, caber também neste planeta.

E você, o que realmente busca?

 

 

Meire de Souza Neves

Sou uma pessoa sonhadora, idealista e desde a infância meu sonho era: ver um mundo melhor onde todas às vidas fossem respeitadas e protegidas! Me tornei Mestre em Serviço Social, atuei por muitos anos no ensino superior e sempre me dediquei a criar formas de relações justas e defender direitos ! Hoje ouvindo o chamado da minha alma atuo como Instrutora de Thetahealing e Terapeuta! Minha missão é contribuir com o processo de curas, expansão da consciência e autoconhecimento! Unir este movimento entre razão , coração e espiritualidade me reconecta com  o divino! Ver às vidas sendo iluminadas ao acolher cada parte que outrora era sombrio, me incentiva a seguir e renovar os votos com a esperança de um mundo em que seja mais fácil amar!

 

Compartilhe:
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...