A vida não muda apenas quando decidimos fazer diferente.
Ela muda quando paramos de nos violentar para caber em ritmos que não são os nossos – ritmos muitas vezes normalizados, aplaudidos e chamados de “produtividade”
As violências muitas vezes não gritam.
Elas sussurram.
São sutis, disfarçadas em rotinas normalizadas.
A falta de clareza permitiu que o limite em várias cenas do dia e da vida, tanto interno quanto externo, mais uma vez fosse ultrapassado: por mim e pelo outro.
O corpo insisti em gritar.
Em cansaço.
Em repulsa por algumas pessoas, ambiências e situações.
Em adoecimentos que se apresentam no emocional, no físico e até no financeiro.
E ainda assim pensamos “só desta vez” ou até mesmo “é só uma fase” – vai passar.
Nossos comportamentos, nossas células tem memória e repetem padrões que sequer começaram em nós. Mas a boa notícia é a certeza de que pode começar a mudar por mim e por você.
Mudar para quem decide ajustar as lentes e recalcular rotas.
Por muito tempo, o crescer foi associado à velocidade, desempenho e resistência.
Esse jeito de funcionar na vida, muitas vezes tomado como referência – nos afastou do nosso ritmo genuíno, de nossa identidade e verdadeira natureza.
Hoje, percebo essencialmente que crescer “também é e é preciso” saber sustentar pausas, rever escolhas e respeitar os próprios limites.
Mas afinal de que crescer estamos falando?
Estamos em movimento de crescimento desde o momento da fecundação.
Da primeira união celular que formou o zigoto seguimos em multiplicação. Crescimento dentro do útero e depois na vida: respirar, amamentar, crescer na estatura, no corpo, na consciência, nas relações, etc.
Por um tempo deixamos de crescer na “estatura corporal”, mas seguimos crescendo em outras dimensões – inclusive em volume, os famosos “quilinhos a mais” que comunicam muita coisa para além da massa corporal (Embora essa não seja a questão central aqui).
Seguimos.
Crescemos na escola, no mercado de trabalho, nos relacionamentos, no processo contínuo de crescer e de nos tornarmos “gente grande”.
Não nascemos pronto, vamos nos tornando ao longo da jornada - até o fim dela.
Nossa voz também não nasce pronta.
E muitas vezes, passa por desafios justamente nos espaços que deveriam acolher e ensinar.
Lares que, em algumas histórias, foram apenas espaços físicos e geográficos, ausentes de calor, escuta e pertencimento.
E assim, as primeiras lições muitas vezes podem ser duras: críticas excessivas, falta de espaço, distorções, violências físicas e emocionais.
São realidades encontradas.
Que desafiam, ensinam e impulsionam o crescimento – mesmo meio a dores.
A voz não nasce pronta, assim como nós – processo da vida.
Afinal desafios só mudam de complexidade, de endereço e nome – fazem parte da existência humana e nos forjam, nos preparam ou derrubam – tudo depende do olhar e como os enfrentamos.
Na minha vida também foi assim, antes da presença, houve silencio.
Antes da clareza, dúvida.
Antes da fala segura, travas.
Ao longo da minha jornada de vida, muitas pessoas foram e são essenciais em vários momentos: desde os difíceis, decisivos e é claro nos bons e felizes.
Receber apoio e companhia de “anjos” que vieram disfarçados em forma de encontros humanos: família, mentores, amigos e parcerias, tornou a travessia mais leve, trouxe esperança e, muitas vezes, direção.
Não fazemos história sozinh@s.
Quando nos apoiamos, quando cada um ocupa o seu lugar, o bem vai se compondo e construindo uma teia invisível em coletivo – e essa, tem um sabor peculiar.
É por isso que histórias importam com tudo que as compõe – luz e sombra, dores e alegrias, fracassos e conquistas – tudo nos compõe.
Quando calamos em nós nossa história, a impedimos que ela toque o outro.
Nosso talento quando bem aplicado: brilha.
Os desafios superados: inspiram.
Os fracassos: ensinam.
Não para comparação, mas para lembrarmos de que não estamos sozinhos em nossos processos.
Tenho caminhado cada vez mais para espaços – individuais, coletivos e organizacionais – onde a escuta vem antes do resultado, onde a saúde emocional faz parte da estratégia e onde crescer não exige adoecimento.
Há algo em comum em qualquer ambiente ou relacionamento humano: quando o ritmo é respeitado, a presença flui e se sustenta.
Isso se torna visível na qualidade das relações, no desenvolvimento humano e na possibilidade real de expandir e florescer.
O contrário também é verdadeiro: quando há contração e encolhimento, ausência da escuta - o desalinhamento é inevitável.
Fica impossível falar a mesma língua e se desenvolver - o campo “mina”.
Às vezes, o próximo passo no nosso crescer na vida não é fazer mais.
É criar espaços para existir com respeito e leveza.
Reconhecendo quem somos: seres humanos talentosíssimos & imperfeitos, que, quando apoiados, encontram terreno fértil para se desenvolver entre infinitas possibilidades & expansão de vida.
Você sente que ainda não deu certo?
Ou que “dar certo” não é para você?
Tem dúvidas sobre seu real valor?
Sente que está atrasad@?
Que o sucesso exige sempre esforço excessivo, até a última gota de energia?
Talvez este não seja um texto de respostas.
Mas de reconhecimento.
Se algo aqui tocou você, permita-se sentir e refletir antes de seguir.
Isso também é crescer.

Marcia Guimarães
Psicóloga de formação, com mais de 17 anos de atuação no desenvolvimento humano, integrando corpo, identidade e saúde emocional.
Criadora dos métodos: Psicofotografia, Direto ao Ponto e Cresça & Apareça, voltados à autoralidade, posicionamento e presença — para pessoas, marcas & negócios que desejam crescer com consciência e coerência.
Atua no desbloqueio da autoimagem, da voz e da expressão, ajudando pessoas e equipes a ocuparem seus lugares com mais clareza, realização e sentido.
Foi apresentadora e produtora na TV Barueri e atualmente é embaixadora da GenTV SP.
Coautora dos livros: Cara de Milionário e NO CAMINHO da Plenitude.
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