Tecnologia brasileira promete proteína mais sustentável e ética até 2027
A Embrapa está desenvolvendo carne cultivada em laboratório, produzida a partir de células animais sem necessidade de abate. A iniciativa coloca o Brasil na rota das inovações globais em alimentação e busca reduzir impactos ambientais da pecuária, além de atender a demandas éticas de consumo.
Os primeiros protótipos já incluem peito de frango, salmão e até caviar vegetal, criados em parceria entre a Embrapa Suínos e Aves (SC) e o Laboratório de Nanobiotecnologia (Brasília). A expectativa é que os produtos estejam prontos para vitrine tecnológica até 2027, com possibilidade de parcerias para produção industrial.
A técnica utiliza células retiradas de animais vivos, cultivadas em meio rico em nutrientes e apoiadas por estruturas chamadas scaffolds, que permitem a multiplicação e formação de tecidos com textura semelhante à carne tradicional. Além disso, a Embrapa já desenvolveu uma película comestível que pode servir como invólucro para embutidos.
Contexto internacional
Países como Singapura, Estados Unidos, Israel e Austrália já têm aprovação regulatória para carne cultivada. No Brasil, a Anvisa publicou em 2023 a RDC nº 839, estabelecendo regras para avaliação e comercialização desses produtos.
Impacto e desafios
A carne cultivada promete reduzir emissões de gases de efeito estufa e desmatamento, além de eliminar o sacrifício animal. O desafio, no entanto, está em ampliar a escala de produção e reduzir custos, além de conquistar a aceitação do consumidor.
